Na função pública, são os cargos menos exigentes que recebem melhor

Governo vai decretar a obrigação dos organismos públicos revelarem todos os suplementos que pagam aos seus funcionários.

Um estudo comparativo entre as remunerações pagas no Estado e no sector privado, a que a Renascença teve acesso esta segunda-feira, revela que na administração pública as funções de menor exigência e responsabilidade são mais bem pagas que no privado.

Ao contrário, as de maior complexidade e do topo da pirâmide são menos valorizadas. A diferença chega aos 30%. Depois, a partir das posições intermédias, o ganho no Estado é ligeiramente superior.

Só no fim da escala, em relação aos assistentes operacionais, é que o ganho médio mensal na função pública volta a ser inferior ao do privado, mas segundo o próprio estudo, estas funções são quase residuais no sector privado e normalmente ganham relevo com alguma especialização, o que determina um vencimento mais alto.

Por exemplo, no sector da educação, os professores ganham, em média, mais que nos colégios particulares, o que também se prende com a antiguidade: normalmente nos estabelecimentos públicos há docentes com mais anos de serviço e no ensino particular, predominam professores mais novos.

Na saúde, um médico ganha, em média, mais nos estabelecimentos privados, mas os enfermeiros, ganham menos.

O estudo foi elaborado pela consultora  Mercer, a pedido do Governo. Tem em conta os salários base mensais, acrescidos das remunerações regulares. Exclui prémios, que não existem na administração pública, e suplementos, que vão ser alvo de um recenseamento.

O Governo sabe que há centenas de suplementos, mas não tem um número rigoroso, até porque há casos em que foram atribuídos por regulamento interno dos organismos, e quer saber o que pagam e se ainda fazem sentido, até porque representam 15% da massa salarial. 
 
Para isso, vai decretar a obrigação dos organismos públicos revelarem todos os suplementos que pagam aos seus funcionários. É uma das questões que vai ser discutida na quarta-feira com os sindicatos do sector, que também já receberam o estudo.

 

fonte:http://rr.sapo.pt/


publicado por adm às 22:04 | comentar | favorito