Jovens portugueses emigram cada vez mais

Há sempre alguém que tem ou sabe de um famillar, amigo, colega ou conhecido que partiu. A Renascença encontrou dois jovens que só não contam para a quarta mais alta taxa de desemprego jovem da União Europeia porque resolveram emigrar.


A emigração dos jovens disparou em 2011, face ao registo do ano anterior, com quase 44 mil portugueses a optarem pelo estrangeiro. A taxa cresceu quase 85% face a 2010.

A principal faixa etária a procurar uma nova vida no estrangeiro foi a dos jovens entre 25 e 29 anos. Não surpreende, tendo-se hoje sabido que a taxa de desemprego entre os jovens aumentou duas décimas, para 38,3%, segundo dados do Eurostat.

Encontrar jovens portugueses que emigraram por falta de alternativa em Portugal não é difícil. Há sempre alguém que tem ou sabe de um famillar amigo, colega ou conhecido que partiu, porque não encontrou outra solução. A Renascença encontrou dois jovens que só não contam para a quarta mais alta taxa de desemprego jovem da União Europeia porque resolveram emigrar.

Soraia Moutinho é um desses casos. Tem 22 anos, é enfermeira e está em Inglaterra há cerca de cinco meses. Tentou exercer a sua profissão em Portugal, mas resolveu partir, depois de 22 currículos enviados sem resposta.

"Não foi fácil tomar esta decisão, mas teve de ser, depois de tanto mandar currículos e não obter qualquer resposta", desabafa Soraia. A jovem enfermeira diz que não admitiria "ganhar apenas cinco euros à hora por uma profissão que devia ser muito bem paga", pelo que, em Outubro, concorreu a uma vaga em Inglaterra. Foi seleccionada. Tem "uma excelente" qualidade vida, mas mantém o sonho de um dia regressar a Portugal, porque "o perfeito seria estar" no seu país a fazer aquilo de que gosta.

Também Tiago Sousa, formado em turismo, não teve outra alternativa senão deixar Portugal e partir para Chipre. Voou, literalmente, para um emprego na companhia Ryanair, onde ganha "o suficiente para ter uma boa vida e ainda juntar algum dinheiro".

O jovem andava há mais de um ano à procura de um emprego em Portugal e, também após muitos currículos sem resposta, resolveu concorrer a um lugar na conhecida empresa de aviação. Hoje, diz que não podia estar melhor, embora regressar à origem seja também um dos seus objectivos: "Regressar é o que toda a gente quer, mas está difícil".

fonte:http://rr.sapo.pt/i


publicado por adm às 22:19 | comentar | favorito