Taxa de emprego em Portugal é a mais baixa desde 1997

Elevada taxa de desemprego contribui para a desvalorização do trabalho e provoca insegurança e incerteza a quem está empregado.

Hoje comemora-se o Dia do Trabalhador mas metade da população em idade activa não tem emprego. Só 50,3% das pessoas com idade para trabalhar tinham posto de trabalho no final do ano passado, avançam os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE). No último trimestre do ano passado, existiam cerca de 4,5 milhões de empregados em Portugal - é preciso recuar aos primeiros três meses de 1997 para encontrar um valor mais baixo, ainda que se registem duas quebras de série. Ao invés, o desemprego já atinge mais de 920 mil pessoas.

Para José Reis, economista da Universidade de Coimbra, o nível baixo de emprego "tem um impacto destruidor na economia portuguesa" e as razões são óbvias: "Desperdício da capacidade produtiva" e "redução da economia". O mesmo defende João Cerejeira, economista e professor da Universidade do Minho, ao afirmar que "a subutilização dos recursos produtivos da economia representa um aumento do índice de dependência". Quer por via formal - aumento da carga fiscal para cobrir as despesas com os subsídios de desemprego - quer por via informal - através das transferências de rendimento intrafamiliares.

 

Além disso, a elevada taxa de desemprego tem consequências nas condições dos actuais trabalhadores, que sabem que o seu emprego é cada vez menos valorizado. "Uma elevada taxa de desemprego retira poder negocial aos trabalhadores, dado o acréscimo de custo associado à perda de emprego, uma vez que é mais difícil encontrar um novo emprego", sublinha João Cerejeira. Por outro lado, esta situação contribui para "a aceitação de empregos pior remunerados" e para a diminuição das hipóteses de promoção na carreira dentro da empresa.

José Reis acrescenta que "quando o trabalho desvaloriza através do desemprego, de um desfazer da economia que não dá valor ao trabalho, há consequências directas", como a própria destruição de postos de trabalho, "e indirectas". Daí que o actual trabalhador esteja "colocado na situação de máxima incerteza" e seja "detentor de uma mercadoria a que se atribui muito pouco valor e se quer desvalorizar".

Trabalhar já nem sequer é garantia de rendimentos suficientes para as famílias. "Até aqui, considerava-se que quem tivesse emprego estava acima do limiar da pobreza", mas hoje isso já não é completamente verdade, diz o presidente do Conselho Económico e Social (CES). "Hoje, estão abaixo do limiar de pobreza pessoas que têm emprego", remata Silva Peneda.

Os dados mais recentes do Gabinete de Estratégia e Estudos do Ministério da Economia revelam que, em Abril de 2012, o ganho médio mensal no sector privado (excluindo algumas actividades como agricultura) era de 1.114,97 euros, menos 1,7% face a Abril de 2011. Esta é, aliás, a primeira quebra registada nos dados que são publicados desde 1999.

Porém, não é tanto devido aos níveis de remuneração que o trabalhador actual se caracteriza por um "elevado nível de insatisfação" mas sobretudo devido à "insegurança e incerteza", diz João Cerejeira. Por sua vez, José Reis conclui que, "hoje, ao trabalho, só resta uma posição de grande reivindicação". E é esse sinal que querem dar amanhã as centrais sindicais, que saem à rua para celebrar o 1º de Maio.

"Resistir" é a mensagem que o novo secretário-geral da UGT quer deixar aos trabalhadores. "Resistir à destruição do Estado social, que nos querem fazer crer que é inevitável", afirma Carlos Silva, acrescentando que é preciso "recuperar a esperança". Do lado da CGTP, Arménio Carlos promete apresentar propostas alternativas às políticas do Governo que "asfixiam" o país. A CGTP deverá ainda apresentar novas acções de luta e apela à mobilização de todos os trabalhadores, independentemente da filiação sindical.

fonte:http://economico.sapo.pt

 

 

publicado por adm às 20:56 | comentar | favorito