Um em cada sete trabalha em excesso

Há 686,8 milhares de empregados em Portugal que trabalham 48 horas ou mais por semana, segundo dados de 2012, mais 66 mil do que em 2008. Os que trabalham mais de 45 horas são já 947,6 milhares.
 
O conceito de "trabalho excessivo" internacionalmente reconhecido situa a fronteira nas 48 horas semanais. E em Portugal o número de empregados que ultrapassa aquele limiar ascendeu, em 2012, a 686,8 milhares, 14,82% da população empregada (4,6 milhões). Em 2008, eram "apenas" 620,5 milhares.
 
Os valores facultados pelo INE ao JN/Dinheiro Vivo mostram que, no ano passado, um em cada sete empregados trabalhava em excesso. A trabalhar mais de 45 horas eram 947,6 milhares, 20% da força de trabalho, isto é, um em cada cinco. Em 2008, eram quase 830 mil a ultrapassar a fronteira das 45 horas semanais, menos 118 mil do que em 2012.

Na Alemanha, o facto de alguém trabalhar mais de 48 horas por semana constitui um motivo de séria preocupação, tanto assim que o Instituto Nacional de Estatística analisa a situação de forma periódica. Os últimos dados, referentes a 2011, mostram que um em cada oito alemães trabalha 48 horas ou mais por semana. A maioria são homens e profissionais liberais, que não têm um horário oficial estipulado.

Em Portugal, o Governo pretende alargar o horário de trabalho na Função Pública das 35 para as 40 horas semanais. E trabalhar para além da hora é sinal de ineficiência? "Mesmo que seja mais uma expressão de ineficiência e falta de organização segundo os alemães, o problema não é de agora, mas o mais relevante é que o aumento do horário de trabalho representa um acréscimo da exploração da força de trabalho", refere Manuel Carlos Silva, professor de Sociologia na Universidade do Minho.

Segundo o Eurostat, Portugal é dos países onde mais se trabalha por semana (42,3 horas no caso dos trabalhadores a tempo inteiro), surgindo o país em 5.0 lugar, mas na produtividade somos os oitavos a contar do fim na Europa. "As empresas alemãs em Portugal apresentam aqui índices de produtividade semelhantes aos que se verificam na Alemanha", sublinha Hans-Joachim Böhmer, diretor executivo da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Alemã. "Nalguns casos verifica-se mesmo que as unidades localizadas em Portugal ocupam lugares destacados nos rankings internacionais dessas empresas no que respeita à produtividade", acrescenta.

Uma conquista de 1919

Em plena I República (1919), uma das mais importantes conquistas foi a semana de 48 horas (8 horas/dia) e um dia de descanso. A regra era para aplicar aos trabalhadores do Estado, das corporações administrativas, do comércio e da indústria.

Casos fora do normal

Horta Osório, Lloyds - A notícia surpreendeu em novembro de 2011. O director-executivo do Lloyds,  António Horta Osório deixou o cargo de director-executivo do banco britânico temporariamente devido a cansaço acumulado. Só regressou em dezembro de 2012. O banco concordou em libertar o gestor de algumas das suas tarefas.

Li Yuan, Ogilvy & Mather - Um jovem criativo da Ogilvy & Mather China morreu no local de trabalho alegadamente por excesso de trabalho. A morte de Li Yuan (24 anos) aconteceu no dia 14 deste mês. Terá sucumbido vítima de excesso de trabalho. Havia um mês que fazia horas extraordinárias, não saindo do escritório antes das 23 horas.

Thomas Bordage, Apple - Na Apple francesa, trabalhar depois do fim do turno pode trazer problemas. Esta semana, o empregado Thomas Bordage foi repreendido severamente por ter trabalhado vinte minutos depois da sua hora de saída. Os seus supervisores de Bordage ameaçaram-no com sanções disciplinares, incluindo despedimento.

fonte:http://www.dinheirovivo.pt/E

publicado por adm às 11:19 | comentar | favorito
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