Engenheiros em fuga de Portugal

Quase 600 engenheiros já deixaram Portugal nos primeiros sete meses do ano, de acordo com dados recolhidos pela Ordem dos Engenheiros.

Entre Janeiro e Julho, um total de 436 foram para países fora da Europa, nomeadamente Moçambique, Angola e Brasil mas também Peru e Colômbia. Para o espaço europeu há registo de 144 saídas.

Em declarações à Renascença, o vice-presidente da Ordem dos Engenheiros, José Pereira Vieira, alerta que a emigração para países europeus é proporcionalmente mais alta.

“No caso dos engenheiros que procuram outros países, mas dentro do espaço europeu, temos um movimento ainda maior em termos percentuais, uma vez que o ano passado, até Dezembro de 2012, nós tivemos uma estatística de 91 engenheiros e, até Julho de 2013, já tínhamos um número de 144, o que é bastante significativo.”

Quem são estes engenheiros e em que condições vão para o estrangeiro? José Vieira frisa que são profissionais altamente qualificados, bem pagos e que, às vezes, também vão pela mão de empresas nacionais que ganharam obras.

“A maior parte são engenheiros civis, muitos deles são seniores, pessoas com muita experiência, alguns deles especialistas e, portanto, são procurados por empresas que, oferecendo melhores salários, salários muito bons, na Europa principalmente, fazem com que alguns desses colegas se desloquem para esses países”,  explica o vice-presidente da Ordem dos Engenheiros.

Fora da Europa, normalmente são grandes empresas portuguesas que recorrem aos engenheiros nacionais para cumprir contratos, nomeadamente em países de língua portuguesa, como Brasil, Angola e Moçambique.

José Pereira Vieira está satisfeito com o reconhecimento dos profissionais portugueses, mas também alerta que o país precisa destes profissionais qualificados no arranque da economia.

Com a livre circulação na União Europeia não há forma de travar a saída dos engenheiros. No entanto, José Pereira Vieira considera que é possível criar condições para que eles queiram continuar em Portugal.

O vice-presidente da Ordem dos Engenheiros, que também é professor universitário, deixa ainda um convite aos mais jovens: os cursos de engenharia são difíceis, mas valem a pena e o país vai precisar de engenheiros.

As empresas estrangeiras procuram, sobretudo, profissionais ligados à indústria de ponta, energia, informática e biomedicina. O número de engenheiros que emigraram já este ano deverá ser maior. A Ordem lembra que muitos profissionais saem do país sem avisar a organização e, por isso, ficam fora das estatísticas.

fonte:http://rr.sapo.pt/i

publicado por adm às 10:00 | comentar | favorito