Europa sem fronteiras também leva jovens a emigrarem por realização profissional

A noção da Europa sem fronteiras também é motivação para os jovens portugueses emigrarem em busca de uma realização profissional que, segundo eles, não se deve limitar ao país ao qual pertencem.

De acordo com o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Cesário, entre 100 a 120 mil portugueses saíram do país este ano, uma emigração "bastante alta", mas que se manteve estável devido à falta de emprego nos outros países.

Carina Bártolo de 25 anos e Rui Vardasca de 26 têm em comum o facto de não terem limitado o seu sucesso profissional a Portugal. Ambos admitem que a noção de uma Europa sem fronteiras os levou a Paris, por razões profissionais, mas que os pode levar para qualquer outra parte do mundo.

Rui Vardasca está há dois anos em Paris. Licenciado em gestão pela Universidade Lusófona foi o curso de hotelaria que tirou posteriormente, em Marbella, que o levou a Paris.

"Tive a oportunidade de trabalhar para uma das maiores cadeias do mundo, tive a oportunidade de trabalhar na cidade que recebe mais turistas do mundo. Não pensei duas vezes", disse à Lusa.

Carina nunca tinha pensado em emigrar. Estudou ciências da comunicação na Universidade Nova de Lisboa, estagiou em rádio e em televisão. Apesar de ter encontrado emprego na área, não conseguiu recusar a oportunidade de trabalhar fora do país. Está em Paris desde Abril.

"Sentia que não tinha mais por onde crescer [em Portugal] e o que me pagavam não dava para sobreviver", explicou.

"O que me atraiu mais em Paris foi obviamente o ordenado que eu vim receber e a possibilidade de estar em contacto com novas culturas e viajar, que era uma coisa que eu sempre gostei. Andar na rua, conhecer histórias, conhecer pessoas".

Um artigo recente do sociólogo e funcionário da embaixada de Portugal em França para assuntos jurídicos e sociais, Jorge Portugal Branco, não nega a existência "de uma nova mão-de-obra emigrante, altamente escolarizada e qualificada profissionalmente, vinda para o estrangeiro na procura de mais oportunidades e salários mais aliciantes, que equaciona os percursos profissionais em termos de mercado europeu - e não apenas nacional".

O mesmo artigo, publicado na revista de sociologia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, apresenta dados recentes do Eurostat relativos "às comunidades estrangeiras presentes nos países da UE" que revelam que "37% (11,3 milhões pessoas) dos estrangeiros residentes na UE-27 provêm de outro Estado Membro".

"Não faço questão de continuar em França. Estou a tentar ao máximo viver os meus sonhos, sem que o meu país me condicione, sem que o governo de cada país nos condicione. E é o que eu sinto, essa é a minha maior frustração, é sentir que temos muito para dar e que não nos deixam", admitiu a jornalista.

Para Rui também não é obrigatório ficar por Paris. Trabalha numa cadeia de hotéis internacional e isso dá-lhe a possibilidade de poder trabalhar em qualquer parte do mundo.

"Tanto posso ter um trabalho nos Estados Unidos, como posso ter um trabalho na Ásia, ou seja, tenho uma rede de oportunidades muito grande, que me permite, de um dia para o outro, ir procurar um emprego e ter um emprego numa outra cidade".

Carina sabe que "quase metade das pessoas que estudaram" consigo estão no estrangeiro, e Rui contabilizou sessenta colegas na sua turma de hotelaria, sendo que "quase nenhuma ficou a trabalhar na sua cidade natal".

Os jovens admitem que a noção de globalização com a qual cresceram e a ideia de uma Europa sem fronteiras lhes permite equacionar uma vida que pode passar por qualquer parte do mundo, o que, como comprovam os dados citados do Eurostat, é uma tendência em toda a UE e que não se reduz aos jovens portugueses.

"Não me vejo a voltar. Talvez daqui a uma década, ou mais, se tiver realmente um bom dinheiro de parte para investir num negócio meu", admitiu Carina Bártolo.

"Obviamente que uma parte de mim gostaria de voltar, gostaria de estar a trabalhar ao pé da minha família, de estar ao pé da praia, estar a trabalhar numa cidade que conheço, que adoro, mas está complicado, o nível de vida em Portugal não é o mesmo que aqui", sublinhou Rui Vardasca.

fonte:Lusa/SOL

publicado por adm às 09:08 | comentar | favorito
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