Emigram mais e enviam mais dinheiro para Portugal

Remessas até outubro de 2012 aumentaram 12% face a 2011. De Angola, o crescimento foi de 49%; da Alemanha, 55%

 

Os números do Banco do Portugal são claros: as remessas dos emigrantes aumentaram 12,6% no ano passado face a 2011 - são mais de 2 mil milhões de euros que chegaram a Portugal e esse crescimento é consequência natural do aumento da emigração.

Mas estes novos emigrantes parecem preferir destinos menos tradicionais, e têm outros planos para o futuro:emigram mais e enviam mais dinheiro para casa e serão cerca de 100 mil emigrantes, por ano; mas para que destinos seguem agora os novos emigrantes portugueses, já sem a tradicional mala de cartão? E que tipo de trabalhadores são estes?

«É um emigração com uma componente masculinizada forte, muito ligada a componentes ténicas ou à construção civil, portanto é normal que ainda tenham uma série de elementos que os ligam a Portugal - ainda têm o que pagar em Portugal [como casa, por ex.] e uma parte da família cá», explica Jorge Malheiros, professor da Universidade de Lisboa, do Instituto de Geografia.

Os valores são impressionantes se olharmos para a Alemanha: num ano o crescimento foi de 55%, e em Angola, o crescimento das remessas de 2012, em relação a 2011, foi de 49%, o que deixa o país no terceiro lugar do pódio. 

«Talvez seja mais fácil agora, do que antigamente, transferir capitais de Angola para o exterior», destaca Jorge Malheiros. 

Já no caso da Alemanha, é um processo mais recente, «mas tem a ver com a própria recomposição europeia e com uma tentativa de inversão do saldo emigratório tendencialmente negativo, buscando trabalhadores com competências nos países do sul da Europa», explica o geógrafo.

Ainda detém o top dos envios de remessas, mas França e Suíça apresentam um comportamento bem diferente e longíquo das vagas e emigração da década de 60. As remessas de França caíram 4% e da Suiça o crescimento não chegou a 0,5%. Para o professor do Instituto de Geografia não é surpreendente: «Com o prolongamento por muito tempo das estadias no exterior há uma redução da média das remessas».

As remessas dos emigrantes caíram depois de 2001, mas antes dessa queda foram muitos os que optaram por apostar num país ainda em expansão. A partir daí as remessas estabilizaram até que agora, e perante uma taxa de desemprego crescente, que ultrapassa os 16% muitos portugueses fazem as malas.


fonte:http://www.tvi24.iol.pt/e

publicado por adm às 11:00 | favorito