09
Ago 12

Número de portugueses a trabalhar na Alemanha sobe 6%

O número de portugueses a trabalhar na Alemanha aumentou 5,9 por cento até finais de Maio de 2012, em relação ao ano anterior, atingindo os 55.600, segundo levantamento divulgado hoje pela Agência Federal do Trabalho (BA).

As autoridades alemãs atribuíram o referido aumento, muito acima da média nacional de 1,6% no mesmo período, ao desemprego e à falta de perspectivas de emprego em Portugal, e ainda à evolução positiva do mercado de trabalho no país de acolhimento.

Esta tendência foi ainda mais acentuada entre trabalhadores espanhóis e gregos na Alemanha, que no prazo de um ano aumentaram, respectivamente, 11,5% (para 46 mil no total) e 9,8% (para 117.700).

Este fenómeno está igualmente ligado, segundo a BA, ao elevado desemprego na Espanha e na Grécia, que é ainda superior aos 15,4% em Portugal, e ultrapassa os 20%.

Quanto ao número de italianos a trabalhar na Alemanha, subiu 4,2% até Maio, atingindo 232.800.

NO que se refere ao desemprego na Alemanha entre estas nacionalidades do sul da Europa, o dos italianos foi o que mais desceu, 6,4%, enquanto o desemprego entre os espanhóis subia 10,5% desde Junho de 2011, e entre os gregos 4,1%.

No que toca ao desemprego dos portugueses, manteve-se praticamente estacionário, com uma ligeira descida, e havia em Maio cerca de 8.500 pessoas à procura de trabalho, quase tantas como há um ano, indicou também a BA.

A taxa de desemprego na Alemanha situava-se nos 6,7%, em Julho, e é uma das mais baixas da União Europeia, mas as variações entre os 16 Estados federados são grandes. As regiões do sul e do sudoeste, como a Baviera e Baden-Wuerttemberg, fortemente industrializadas, apresentam taxas abaixo dos cinco por cento, e o leste do país, menos desenvolvido, taxas acima dos 10 por cento.

A BA tem chamado a atenção para a falta de mão-de-obra especializada, sobretudo de engenheiros, médicos, informáticos, mas também de enfermeiros e auxiliares de enfermagem e operários especializados, mas também deixou claro que, sem conhecimentos de língua alemã, as candidaturas de estrangeiros da União Europeia não têm praticamente hipóteses de sucesso, quer nestas, quer noutras áreas de actividade.

Nas profissões de nível académico, onde a comunicação decorre em Inglês, sobretudo nas grandes empresas, o panorama é diferente.

Muitas multinacionais germânicas não hesitam mesmo em promover acções de recrutamento no estrangeiro para angariar os quadros técnicos de que necessitam, facultando-lhes depois aulas de alemão no país de acolhimento.

fonte:http://economico.sapo.pt/n

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15
Jul 12

Portugueses emigram com "ilusões" e "promessas de paraíso"

A maioria dos portugueses que sai do país para procurar emprego e uma vida melhor leva "ilusões" e vai atrás de "promessas de paraíso", e depois "encontra dificuldades", disseram à Lusa associações da comunidade portuguesa em França.

Aníbal de Almeida, membro honorário e ex-provedor da Santa Casa da Misericórdia de Paris (SCMP), associação que presta auxílio à comunidade portuguesa na capital francesa, disse à Lusa que "não há regularmente portugueses a dormir na rua", mas que a associação recebe diversos pedidos de ajuda de recém-chegados.

"No fundo há três categorias: os que vêm dirigidos a familiares ou amigos que já se encontram em França, e que são acolhidos e acompanhados até conseguirem alojamento e emprego; os que vêm -- sobretudo jovens -- com determinado tipo de qualificações, nas áreas da saúde e informática, e que trazem normalmente uma indicação; e os que vêm à aventura", afirmou.

E depois, acrescentou, "há toda aquela gente que vem através das agências de trabalho temporário, que têm ligações com empresas francesas, e que lhes prometem o paraíso. As pessoas chegam cá e não têm nada. Ou então são [recrutadas por] aqueles habilidosos, a quem eu chamaria os passadores atuais, que andam pelas aldeias, e que dizem que [procuram pessoas para trabalhar] em França. E as pessoas vêm, chegam aqui e encontram-se em situações difíceis".

"Hoje não se encontra emprego como há 50 anos atrás. Hoje há um desemprego enorme (10 por cento), está-se num período económico e social extremamente difícil. Mas uma das dificuldades que temos muitas vezes é que as pessoas se manifestem, que digam que precisam", acrescentou.

Também o responsável pela Association Portugaise de Bienfaisance (Associação Portuguesa de Caridade) do Raincy, a 20 quilómetros de Paris, Manuel de Oliveira, disse à Lusa que "muitos portugueses têm vergonha de dizer que têm dificuldades".

"As pessoas vêm para aqui com muitas ilusões, e a situação aqui também não é fácil. São diversos os casos em que as pessoas vêm trabalhar para empresas de portugueses e pensam que os empregadores estão a contribuir para a Segurança Social, em França ou em Portugal, e acabam depois, quando precisam, por descobrir que não têm qualquer proteção social", contou.

As autoridades portuguesas estimam que, por ano, entre 120 e 150 mil portugueses abandonem o país.

fonte;http://www.jn.pt/Pa

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27
Jun 12

Mais de 70 mil portugueses emigram todos os anos

Mais de 70 mil portugueses estão a emigrar todos os anos, segundo o relatório anual divulgado hoje pela OCDE.

O mesmo documento indica que a maioria dos que abandonam o país tem menos de 29 anos.

A entrada de imigrantes e saída de portugueses para outros países diminuiu cerca de 12% em 2010, revela o relatório "International Migration Outlook 2012", da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

A tendência de diminuição de circulação de pessoas regista-se há já vários anos. Apesar de, na última década, a taxa migratória (diferença entre imigrantes e emigrantes) continuar positiva - mais 182 mil pessoas - a verdade é que representa apenas metade do valor registado entre 1991 e 2000.

Uma das causas para esta diminuição está na saída de portugueses. Desde meados da década passada, são cada vez mais os que decidem abandonar o país à procura de uma vida melhor. Actualmente, mais de 70 mil pessoas emigram todos os anos.

Portugal surge assim no relatório da OCDE ao lado da Grécia, Irlanda, Itália e Espanha, onde já era espectável que o agravamento da situação económica levasse a um aumento da emigração.

As mesmas razões - a crise económica e falta de emprego - provocaram também uma diminuição de entradas no país. Segundo o relatório são cada vez menos os imigrantes não europeus que pedem vistos de longa duração: em 2010, os serviços receberam menos de 15 mil pedidos, registando o valor mais baixo desde 2003.

Os pedidos de autorização para estudar em Portugal passaram a ser os que têm mais peso estatístico, representando quase metade (47%) da totalidade dos vistos de longa duração. Logo a seguir surgem os vistos atribuídos às famílias (cerca de 25%) e, finalmente, os vistos de trabalho (16%).

Os pedidos para requerer um visto de trabalho têm vindo a diminuir desde 2009, altura em que deixaram de atingir o limite máximo permitido pelo Governo, de 3.800 por ano.

Maioria lusófona

A maioria dos imigrantes que vivem em Portugal são de países lusófonos, em especial de Cabo Verde e Brasil. O relatório destaca a forte presença dos imigrantes dos PALOP (42%), de brasileiros (23% do total) e os chineses (7%). Já os imigrantes de leste são cada vez menos.

Entre 2009 e 2010, o número de novas autorizações de residência passou de 61.400 para 50.700. E o número de estrangeiros legalizados diminuiu 2% em 2010, atingindo os 448 mil: 27% eram brasileiros, 11% ucranianos e 10% cabo-verdianos.

Entre as razões para a diminuição da imigração, o relatório aponta o aumento de casos de dupla nacionalidade, naturalização portuguesa (principalmente entre os PALOPS) e regresso ao país de origem (mais habitual entre os imigrantes de leste).

No que toca ao exílio, Portugal registou um aumento de pessoas exiladas (de 140 em 2009 para 160 em 2010), mas continua a ser o país da OCDE que recebe menos pedidos.

O relatório analisou ainda as políticas de migração e as alterações legislativas nacionais (feitas em 2006, 2007 e 2008), chamando especial atenção para o facto de "a integração dos imigrantes continuar a ser uma prioridade política".

O documento sublinha ainda as 122 medidas do I Plano Nacional de Integração (2007-2009) que abrangia áreas como educação, saúde, segurança social, racismo ou trabalho.

"Os objectivos foram considerados por todos como tendo sido atingidos a 80%", lê-se no documento, que refere que o II Plano para a Integração dos Imigrantes (em vigor entre 2010 e 2013) passou a ter 90 medidas e dois novos focos: a promoção da diversidade e protecção dos imigrantes mais velhos e a protecção contra o empobrecimento e desemprego imigrante.

fonte:http://economico.sapo.pt/

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25
Fev 12

Quer trabalhar no estrangeiro? Deixamos-lhe umas dicas

Se está a pensar em trabalhar fora de Portugal, a Agência Financeira deixa-lhe algumas dicas que o podem ajudar. 

Para começar avalie os seus conhecimentos, as suas competências e experiência e procure os mercados onde elas fazem falta. É preciso definir a sua procura e saber onde pode ser uma mais-valia.

Por isso, estude bem todas as opções. Pesquise na Internet as empresas da sua área profissional onde se pode candidatar, sites, empresas de recrutamento, câmaras de comércio, etc. 

Estabeleça contactos mesmo antes de partir. É fundamental para saber todos os pormenores do local, dificuldades, mais-valias, burocracias, etc, que poderá ter de resolver.

Aproveite pois, as redes sociais, como o Facebook, o Linkedln ou os blogues, para entrar em contacto com portugueses ou pessoas de outras nacionalidades que moram no país/cidade para onde quer ir.

Passe à ação. Escreva o seu curriculum vitae adaptado à língua e linguagem do país e coloque-o nos sites de emprego, bases de dados de empresas de recrutamento, contacte empresas e responda a anúncios. 

Se escolheu um país europeu pode aproveitar os portais de emprego como o Monster ou o Experteer.com. Não se esqueça das secções de classificados do jornais e das páginas oficiais dos serviços públicos de emprego.

Quando tiver já alguma oferta em vista faça, se puder, umavisita preparatória, de dois ou três dias, para reconhecer o local, ver casas, escolas, sistema fiscal, burocracias, entre outros.

Alguns países em voga

Brasil: a economia está bem de saúde e recomenda-se. Já é a oitava maior do mundo e espera que se expanda a um ritmo de 4% este ano. O país precisa de profissionais nas áreas das engenharias, investigação científica e turismo. Tem a vantagem da língua comum e a desvantagem de ter insegurança. Saiba que é difícil entrar sem visto e sem emprego, por isso, trate de tudo antes de ir.

Qatar: em elevado crescimento, é o país cujos negócios são liderados pelo gás, petróleo e construção. Está sedento por profissionais estrangeiros, sobretudo nas áreas da gestão, mercados financeiros e engenharia. A imigração é controlada e é preciso um «padrinho» para visitar ou trabalhar no emirado, que em último caso pode ser a empresa empregadora (contacto prévio é fulcral, a não ser quando as qualificações são muito altas). A qualidade de vida não é má, mas prepare-se para as diferenças culturais que terá de enfrentar no emirado.

Austrália: tem um dos mais elevados níveis de qualidade de vida e está à procura de estrangeiros qualificados. A indústria mineira é um motor da economia e há aí grandes oportunidades. Há também procura por pessoas em áreas técnicas, como engenharias, tecnologias de informação ou medicina. Aproveite a oportunidade porque a Austrália costuma ser muito controladora em relação à imigração. Se não fala inglês, nem tente. 

Alemanha: dos grandes europeus, é dos que está a recuperar melhor da crise. Continua a ser o maior exportador e, em termos de qualidade de vida, tem tudo: o custo de vida é alto, mas os salários e os apoios sociais também. É fundamental falar alemão e, se falar mandarim, também é uma boa ajuda, por causa das relações bilaterais. Para profissões técnicas podem ser precisos exames e estágios locais, mas não é preciso visto de trabalho. 

China: é o motor da retoma e a segunda maior economia do mundo, tendo ultrapassado o Japão, e é também o país no mundo que vai criar mais oportunidades de negócio e de emprego nos próximos anos. As multinacionais só estão interessadas em estrangeiros com experiência e/ou uma rede de contactos no país. Saber mandarim ou estar disposto a dominar a língua é imprescindível. É fácil criar negócios e redes de contactos, especialmente entre estrangeiros, mas o ambiente é duro, há muita poluição, corrupção e limites à liberdade de expressão (embora os estrangeiros tenham grande tolerância).

fonte:http://www.agenciafinanceira.iol.pt/

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20
Fev 12

Guia para procurar trabalho no estrangeiro

Se a opção é ir trabalhar para outro país, lance mãos à obra e invista na procura.

Se está sem trabalho e não vê, em Portugal, qualquer luz ao fundo do túnel, já pensou em emigrar? O Diário Económico deixa-lhe alguns passos a seguir para se lançar nessa aventura em que muitos portugueses estão a embarcar para fugir ao desemprego.

1. Avalie as suas competências
É preciso cruzar dois eixos: as competências que tem e encontrar um mercado onde elas estejam em falta. "É uma perda de tempo pensar que vai fazer qualquer coisa para qualquer lado. Tem de definir um mercado para focalizar energias nesse sentido", afirma José Bancaleiro, ‘managing partner' da ‘executive search' Stanton Chase em Portugal.

2. Lance mãos à obra
Comece por estudar o mercado para onde quer ir, pesquisando na Internet quais as maiores empresas do sector a que se quer candidatar, sites e empresas de recrutamento, ‘head hunters', câmaras de comércio, etc. Conhecer, ainda que teoricamente, o mercado dá resultado, assim como ir já com os contactos feitos, garante o ‘managing partner' da Stanton Chase. O trabalho de preparação é indispensável.

3. Contactos e redes sociais
Aposte no ‘networking' no país para onde decidiu ir e a listar quais os portugueses ou pessoas de outras nacionalidades que conhece lá, amigos de amigos e contacte-os. "A primeira coisa a fazer é preparar a viagem com pessoas com interesses semelhantes aos nossos, que estão a viver na cidade para onde queremos ir. Ajuda-nos a estruturar a viagem e a começar a integrar-nos. Dá-nos outro conforto", diz Tiago Forjaz, o fundador da rede social Star Tracker. Esta e outras redes profissionais, como o LinkedIn, ou até o Facebook, podem ajudar muito neste trabalho preparatório. Existem nestas redes grupos criados de portugueses que vivem no estrangeiro.

4. Net: a grande aliada
Passe à acção: coloque currículos nos sites emprego, nas bases de dados das empresas de ‘head hunting', nas empresas de recrutamento, contacte as empresas, responda a anúncios. Não se esqueça de ir também, no caso do seu destino ser um país europeu, aos portais de emprego globais ou europeus, como o Monster ou o Experteer.com, os sites especializados por actividade e país, às secções de classificados nos diários ‘online' de cada país e às páginas oficiais dos serviços públicos de emprego.

5. Currículo
Pode parecer um pormenor, mas é importante: adaptar o currículo não só à língua, como à linguagem do país. "No Brasil, por exemplo, convém adoptar expressões próprias do brasileiro. Basta ler um livro de gestão", diz José Bancaleiro.

6. Idioma
Em países que não são de língua portuguesa, o especialista em ‘head hunting' aconselha que aprendam umas noções básicas antes de partir: "Embora, no início, o inglês seja suficiente, começar a aprender a língua é importante", refere o responsável da Stanton Chase. Esta questão coloca-se, nomeadamente, no caso da Alemanha.

7. Visita preparatória
Bastam dois ou três dias, mas se puder deslocar-se à cidade para onde vai, antes de se mudar, dá outra segurança quando for para ficar, defende Tiago Forjaz. Veja de casas, escolas, como funciona o sistema fiscal, burocracias, etc.

fonte:http://economico.sapo.pt/n

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16
Fev 12

Trabalhadores portugueses são «mais-valia» para o Brasil

Empresários brasileiros do sector do imobiliário residencial e turístico lembraram esta quinta-feira em Lisboa que o Brasil se debate com grande falta de mão-de-obra, considerando a experiência dos trabalhadores portugueses uma mais-valia para o crescimento do país.

«Não temos mão-de-obra. Não só qualificada, mas também sem ser qualificada», disse à agência Lusa Filipe Cavalcante, presidente da ADIT - Associação para o Desenvolvimento do Imobiliário e Turismo do Brasil, adiantando que essa falta se nota na maioria das áreas de actividade.

«Há meses que procuro 30 pedreiros. E são pedreiros, o que dirá engenheiros», adiantou Cavalcante, considerando «muito interessante» o actual movimento de portugueses para o Brasil.

«Acredito que nos próximo anos será um elo que se fortalecerá entre o Brasil e Portugal. Além de falarmos a mesma língua, [Portugal] tem uma experiência que pode ser muito válida no desenvolvimento do Brasil», acrescentou, citado pela Lusa.

Filipe Cavalcante falava à agência Lusa à margem de um seminário que hoje juntou num hotel de Lisboa empresários portugueses e brasileiros do sector do imobiliário residencial e turístico.

O seminário faz parte do programa de uma missão a Portugal de 20 empresários brasileiros para visitas técnicas e troca de experiências com congéneres portugueses.

«Nesta missão temos vários empresários que querem lançar empreendimentos integrados e bairros residenciais planeados, onde não há qualquer tipo de experiência dos profissionais brasileiros enquanto que em Portugal essa experiência existe. Por isso, acho que há muito espaço para parcerias», disse.

No mesmo sentido, Sérgio Villas Bôas Pereira, presidente do grupo urbanístico Cipasa, de São Paulo, identificou «uma falta muito grande» de mão-de-obra, especialmente na área das engenharias.

Adiantando que na sua empresa, cerca de 5 por cento dos 100 trabalhadores são portugueses ou espanhóis, Sérgio Pereira defendeu paralelamente a aposta na qualificação da força laboral brasileira.

«Os portugueses e espanhóis são muito bem-vindos porque são bastante qualificados e muito bem preparados. Acredito que a Espanha e Portugal vão superar esse momento de forma talvez até mais rápida do que se imagina, mas por enquanto será de grande valia tê-los connosco para fortalecer o crescimento que estamos a viver», disse.

fonte:http://www.agenciafinanceira.iol.pt/

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12
Fev 12

Brasil, o destino dos novos emigrantes

Professores, engenheiros, profissionais de saúde e da hotelaria têm procura em mercados externos.

"Empregos correm atrás das pessoas". A manchete de um diário de São Paulo resume bem o clima de procura de talentos que se vive no Brasil. As estimativas apontam para que sejam necessários quase oito milhões de profissionais, até 2015, no mercado de trabalho brasileiro. Recentemente foram divulgados números que apontavam para a necessidade de 50 mil engenheiros para empresas brasileiras.

No futuro, os países de língua portuguesa (Brasil, Angola e outros países africanos), Estados Unidos, Canadá, Austrália e Nova Zelândia serão os destinos preferenciais, antevê Francisco Madelino, presidente demissionário do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP). Para o responsável deste organismo, em declarações feitas no balanço dos Dias do Emprego em Novembro, a procura de emprego no estrangeiro "é uma tendência natural nos portugueses e que, na actual conjuntura, não pode ser reprimida - porque constitui, de facto, uma alternativa válida e uma mais-valia em termos profissionais e de internacionalização".

O tema voltou à ribalta, na sequência das declarações do primeiro-ministro em entrevista ao "Correio da Manhã", na qual sugeriu que os professores sem emprego devem procurar novas qualificações ou procurar novas oportunidades, por exemplo, nos PALOP. As declarações foram mal recebidas, até porque é o segundo membro do Executivo a incitar à emigração. O primeiro foi o secretário de Estado da Juventude e Desporto.

Com a taxa de desemprego a rondar os 12,5%, este ano, muito acabam por procurar oportunidades lá fora. "Há uma quebra muito significativa em todos os sectores em Portugal", diz Amândio da Fonseca da EGOR, o que significa que emigrar "não é o seu sonho de carreira, mas um recurso, sobretudo para os mais qualificados", conclui.

Conscientes da qualificação dos profissionais portugueses e, simultaneamente, da sua disponibilidade para sair de Portugal à procura de melhores oportunidades, cada vez mais países europeus, têm vindo a recrutar no país.

Docentes do ensino básico e secundário e educadores de infância, por exemplo, são profissionais com grande procura por países como Reino Unido, Noruega, Alemanha, França, Suécia ou Finlândia, revela Francisco Madelino, presidente demissionário IEFP. Só a Alemanha disponibiliza 400 mil ofertas de emprego no portal do instituto de emprego alemão.

Esta procura estende-se a outras áreas, como engenheiros de diversas especialidades, excepto para a construção, ou profissionais das tecnologias de informação. Há também boas oportunidades para enfermeiros - nomeadamente na Noruega, que os procura activamente, segundo o embaixador Ove Thorsheim - assistentes sociais e cozinheiros e chefes de cozinha, revelam as conclusões do IEFP.

"Espanha, apesar da crise, continua ainda a registar algumas oportunidades, pela proximidade geográfica e da língua, com correspondente colocação de trabalhadores portugueses, em animação turística e desportiva, engenharias e hotelaria", acrescenta Francisco Madelino, apontando, porém, que esta oferta tem registado "um retrocesso muito significativo, nos últimos três anos".

Experiência prévia de trabalho no estrangeiro, acompanhada de uma preocupação com competências linguísticas, é uma das características que os empregadores estrangeiros procuram nos candidatos portugueses, "o que não significa que não surjam oportunidades para recém-graduados, muitas vezes enquadradas em programas de estágios", lembra o presidente do IEFP.

Existe ainda uma preferência por profissionais com experiência na gestão de projectos e supervisão de equipas, domínio de técnicas de investigação, experiência em teletrabalho, conhecimentos profundos em algumas linguagens de programação", conclui Francisco Madelino.

Portugueses agradam ao mercado internacional

Seja pela sua formação académica ou, apenas, por uma questão cultural, há certas características de base do profissional português típico que vão ao encontro das necessidades das empresas empregadoras no mercado global. Acima de qualquer outra, é valorizada a facilidade que os portugueses demonstram na aprendizagem de novas línguas, em particular o inglês. "O domínio do português é igualmente valorizado por empresas que procuram a sua internacionalização, ou desenvolvem projectos, em economias emergentes de língua oficial portuguesa, como Angola ou o Brasil", lembra Francisco Madelino, presidente demissionário do IEFP. Outras características que são valorizadas são: o nível de formação académica, que já é reconhecido internacionalmente; a facilidade de adaptação a novas culturas e ambientes multiculturais; e a capacidade para a resolução de novos problemas e situações, "o tradicional ‘desenrascanço'", comenta Francisco Madelino.

Portugueses que procuraram oportunidades noutros países

Director em Florença
"Gostei da ideia de fazer carreira num grupo internacional". A frase é de Nuno Moreira, economista licenciado pela FEP, e que trabalha no grupo Kme Group SpA, desde 2001 e serve para explicar porque deixou Portugal para trás. Começou por ir para Barcelona onde se manteve durante seis anos. Em 2008 foi para Paris e, hoje está em Florença, na sede do grupo líder mundial no fabrico e comercialização de produtos em cobre. Nuno é director de uma unidade de negócio que factura 400 milhões de euros. Diz que as maiores dificuldades estão ligadas ao facto de "deixar para trás todo um suporte, ou seja, um país que se conhece por algo desconhecido. A este acresce, "a adaptação a uma nova cidade e criar uma nova vida social longe da família e dos amigos", acrescenta.

Apostar no Luxemburgo
Com indemnização que recebeu pela saída do último emprego em Portugal, Tiago Madeira rumou à Irlanda, em 2005. Não tinha emprego garantido, mas a dinâmica do mercado de trabalho dava bons sinais, além disso, a língua inglesa facilitava. Uma semana após aterrar em Dublin, arranjou emprego num supermercado a ganhar 300 euros por semana. Três anos depois estava no seu terceiro emprego, mas resolveu deixar a Irlanda com um salário de 1.900 euros e um contrato sem termo. Certo de que o mercado tinha lugar para pessoas com o seu perfil e decidido a viver no centro da Europa, foi para o Luxemburgo. Hoje, é agente de viagens naquele país, onde vive com a mulher e a filha. Com um orçamento familiar de 6.500 euros, tem a certeza de que está num dos países com melhores infra-estruturas para construir uma família.

Professora em Boston
Sónia Almeida não tem dúvidas que ter emigrado foi a melhor coisa que fez. Aos 33 anos, não olha para trás com arrependimento. Licenciada em Pintura pela Faculdade de Belas Artes de Lisboa (2001), seguiu para Londres e, em 2004, estava matriculada na Slade School of Fine Art, da University College London, onde tirou o mestrado de Pintura. Foi em Bedford, que se empregou como técnica de gravura numa escola secundária. Em 2008 vai para os EUA, para Boston. Mantendo sempre em primeiro plano a carreira de artista plástica, em 2010, começa a trabalhar como professora de Pintura da Massachusetts College of Art and Design em Boston. "Se tivesse ficado em Portugal estaria no desemprego ou tinha-me dedicado às artes decorativas", diz, hoje, Sónia Almeida.

Analisar mercado asiático
Diogo Nunes vive fora de Portugal há quatro anos. Licenciado em Economia, sempre ambicionou uma "carreira internacional": "O facto de ter feito o Erasmus na Dinamarca aguçou-me o apetite". Pelo que assim que foi desafiado por uma multinacional portuguesa para ir para a Austrália não pensou duas vezes. "Não tive como recusar", adianta. Mas será tudo fácil para quem emigra? Diogo é peremptório: "Não, a principal dificuldade foi o desconhecimento das empresas portuguesas no exterior". A nível particular diz que "o fuso horário também foi complicado, para além de trabalhar muitas horas". "Obrigava-me a estar contactável 18h por dia". Hoje está em Singapura onde é responsável pela prospecção de uma empresa portuguesa no mercado asiático.

Enfermeira na Suíça
Ângela Faria, 24 anos, terminou a licenciatura de enfermagem, em Março, mas o seu primeiro emprego acabou por ser numa loja de um centro comercial. No entanto, não desistiu de exercer a profissão para a qual estudou durante quatro anos na Escola Superior de Saúde de Santarém. Desempregada, decidiu visitar um casal de amigos portugueses que vivem na Suíça. A ideia de emigrar começou a ganhar vida. Em Agosto, enviou o seu currículo para uma instituição de cuidados continuados, em Lausanne. Nas duas primeiras semanas de Outubro, já estava a estagiar na instituição suíça com a possibilidade de assinar um contrato sem termo no início de Dezembro, o que acabou por acontecer. Na Suíça, Ângela ganha seis vezes mais do que um enfermeiro em Portugal, por isso não pretende voltar tão cedo.

Jornalista em Londres
Depois de ter concluído um mestrado internacional de Jornalismo, Bruno Alves, de 30 anos, procurou emprego em Portugal durante um ano em 2007. Sem resposta, foi então que decidiu emigrar levando na bagagem uma "visão muito pessimista do mercado de trabalho em Portugal", que avalia como sendo "pouco meritocrático". Hoje está em Londres e é editor de uma revista e website ‘business-to-business' que cobre parcerias público-privadas e privatizações na área das infra-estruturas a nível global. Por mês, obtém um rendimento de 2.700 euros líquidos fora prémios que podem ascender aos seis mil euros anuais. Londres foi a cidade escolhida por considerar ser "de longe a que tem mais oferta nessa área".

fonte:http://economico.sapo.pt/

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23
Dez 11

Como procurar trabalho nos EUA ou na UE

A liberdade de circulação na Europa só encontra nuances fiscais. Para fora há que ter vistos.

O primeiro ministro, Pedro Passos Coelho, sugeriu que professores desempregados devem procurar trabalho no Brasil ou outros países de língua portuguesa, em entrevista ao "Correio da Manhã". O Diário Económico foi indagar sobre eventuais restrições jurídicas, fiscais ou de procedimento para quem procura trabalho no estrangeiro.

Se em países da União Europeia procurar trabalho não é muito diferente do processo seguido em Portugal, já que existe livre circulação de pessoas e bens, nos países extra-comunitários como o do Brasil - citado por Passos Coelho - ou de Angola - um destino também muito procurado pelos portugueses nos últimos anos - as exigências de visto de residência temporário ou permanente determinam por regra a legalização dos candidatos.

1 - Trabalhar na Europa é fácil e sem restrições
Em países da União Europeia, as iniciativas para encontrar trabalho não divergem muito das práticas para o conseguir em Portugal. A liberdade de circulação de pessoas e bens na Europa comunitária, que integram o espaço de Schengen, garante uma emigração simples e porventura fácil dos pontos de vista jurídico e da legalização de residência temporária ou definitiva.

Com pequenas ‘nuances' em termos fiscais, como é o caso em França: neste país os impostos são pagos no final do ano e não existe retenção na fonte como em Portugal. A Segurança Social é paga no país de destino e fica a cargo do empregador. E o trabalhador tem de estar inscrito no consulado da região, ou autoridade local, como acontece por regra em países da UE.

2 - Trabalhar no Brasil com contrato de trabalho
Com visto temporário, renovável de dois em dois anos, é exigida a comprovação de escolaridade e qualificação no estrangeiro, compatível com a actividade a exercer. A remuneração não pode ser inferior à paga na mesma função no Brasil pela empresa requerente. Administradores ou executivos com poderes de gestão terão visto permanente, em paralelo com a duração do mandato e registada em acta do órgão da empresa.

3 - Trabalhar em Angola com residência fixa
Angola exige visto e carta do candidato à Missão Consular de Angola, com assinatura reconhecida. Mas também passaporte com validade superior a nove meses e duas folhas livres para colocação do visto. Além de comprovativos de meios de subsistência equivalentes a 200 dólares por dia de permanência. Três fotos tipo passe e declaração de compromisso de obediência às leis angolanas.

4 - Estados Unidos com Vistos anti-terrorismo
Trabalhar nos Estados Unidos, e apesar dos milhares de pessoas que entram todos os anos neste país na condição de imigrantes, obedece a uma rede fina de autorização de visto: seja por via de informações sobre o ADN ou através das garantias de trabalho que tem de apresentar. Os empregadores são obrigados a garantir que o trabalhador está autorizado a trabalhar nos EUA. Trabalhadores que tenham recebido autorização de residência permanente podem ter permissão para trabalhar neste país como resultado directo. Caso contrário, devem pedir essa autorização individual de trabalho.

fonte:http://economico.sapo.pt/n

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08
Jun 11

Crise levou mais de 23 mil portugueses a emigrar em 2010

No ano passado, o número de portugueses que procurou melhores condições de vida fora de Portugal foi o segundo maior da década, segundo o Diário Económico cifrando o movimento em mais de 23 mil emigrantes.

No ano passado, por cada português que saiu do País à procura de trabalho, houve um estrangeiro que chegou com o mesmo objectivo. Um ano antes, o rácio era de dois imigrantes por cada emigrante.

E se é certo que há cada vez mais pessoas a tentar a sorte lá fora, em 2010 houve mesmo uma quebra recorde no número de imigrantes que vieram para Portugal.

A crise explica as quebras passadas e dita a tendência futura. Nos próximos anos, marcados pela austeridade e pela falta de postos de trabalho, dificilmente o País conseguirá atrair mais imigrantes e evitar um aumento da emigração, sobretudo entre os mais jovens e com maiores qualificações. 

Em 2010, entraram em Portugal 27.575 imigrantes, de acordo com os dados publicados ontem pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), referentes à população residente e que indicam uma quebra de 734 indivíduos para 10.636979, o primeiro recuo desde 2002. É o fluxo de entradas mais baixo da última década, pelo menos. Em sentido contrário seguem os números da emigração: no ano passado, saíram 23.760 pessoas do país, em busca de melhores oportunidades lá fora.

Segundo as contas do jornal, trata-se do segundo maior fluxo desde o início do milénio - superado apenas pelas 26.800 saídas registadas em 2007. 

fonte:http://diariodigital.sapo.pt/d

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25
Mai 11

Um quarto dos trabalhadores disposto a emigrar

Cerca de 27% arriscaria a sair do País para arranjar um emprego, mas 52% não pensa nisso.

Cerca de 27% dos trabalhadores portugueses estaria disposto a emigrar para encontrar um emprego melhor, ainda que 52% não encara esta perspectiva, avança um estudo internacional da GfK Custom Research, que incidiu sobre os trabalhadores por conta de outrem de 29 países. Na média dos países analisados, as respostas são similares: 27% mudaria de país, mas 54% não estaria disposto a essa mudança.

Aliás, a procura de novas oportunidades de emprego noutros países parece estar no horizonte de alguns portugueses, a avaliar pela presença de dezenas de pessoas, ontem, no Dia da Suécia. O evento, organizado pelo Instituto do Emprego e da Formação Profissional (IEFP) através da rede EURES, teve lugar no Porto e contou com a presença de dez conselheiros suecos, que informaram os participantes das oportunidades de emprego.

Mas não é só ao nível da emigração que se mede o impacto da recessão no mercado de trabalho português. Do "GfK International Employee Engagement Survey" - que, em Portugal, fez 547 entrevistas ainda antes do pedido de ajuda externa - é possível concluir que 24% dos portugueses diz que o patrão tem usado a recessão para pedir mais trabalho com os mesmos recursos, ainda que 55% assuma posição contrária. A média do conjunto de países fica em 36% e 38%, respectivamente.

Devido à crise, 21% de portugueses garante que foi forçado a aceitar uma profissão de que não gostava e 22% salienta que teve de mudar os planos de vida (aquém da média global). Ainda assim, a percentagem é mais significativa (acima de 60%) para os portugueses que dão resposta negativa a estas duas questões. E cerca de um quarto dos inquiridos também diz que consideraria mudar de carreira, ainda que mais de metade se mostre em desacordo com esta afirmação. Mas a maioria (65%) não procurou formação para um novo emprego. 

fonte:http://economico.sapo.pt/

publicado por adm às 23:17 | comentar | favorito
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