Jovens desempregados: um terço procura trabalho há mais de 1 ano

Para muitos jovens portugueses, o desemprego pode já ser estrutural. Mais de um terço dos desempregados com menos de 25 anos está à procura de trabalho há mais de 12 meses. Segundo os números do Instituto Nacional de Estatística (INE) para o primeiro trimestre, há mais de 52 mil jovens desempregados excluídos do mercado de trabalho há pelo menos um ano.

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Esta estatística mostra que a explosão do desemprego juvenil pode não ter raízes só conjunturais. 34% destes jovens procura trabalho pelo menos desde o início de 2011. Há um ano eram menos 12 mil do que atualmente, um aumento de 33%.

Um dos principais entraves para esta faixa demográfica está relacionado com a entrada no mercado de trabalho. As dificuldades das empresas devido à contração do consumo interno estão a refletir-se na capacidade de contratação. O mercado de trabalho está parado e, quando mexe, tem sido no sentido de uma maior destruição de emprego.

No entanto, a verdadeira dificuldade não parece estar em encontrar o primeiro emprego. Segundo o INE, a maioria dos jovens desempregados já esteve empregado e procura um novo trabalho. Apenas 42% dos desempregados estão à procura do primeiro emprego. Um número que pode estar distorcido pelo efeito estágio. Muitos jovens entram no mercado de trabalho através de um estágio com salários muito baixos ou mesmo sem remuneração, sendo afastado mal ele termina.

Mais 55% no Centro
Nem todas as regiões do país têm sido igualmente afetadas pelo desemprego jovem. Aliás, a diferença é assinalável. No último ano, o Centro é de longe a região mais afetada. O número de jovens sem trabalho disparou de 19,8 para 30,8 mil, um crescimento de 55,6%. A seguir surgem os Açores e a Madeira, com variações de 35,9% e 33,3%, respetivamente.

Em Portugal, o crescimento médio do desemprego jovem foi de 24,6% face ao primeiro trimestre de 2011. Abaixo desse nível de crescimento estão as duas regiões que têm mais desempregados com menos de 25 anos. Na Grande Lisboa, o número de jovens desempregados cresceu 21,9%, para os 39,5 mil, quanto no Norte - região líder neste indicador - avançou 17,3%, para os 56,2 mil. No Alentejo, o desemprego juvenil aumentou 15,7%, enquanto o Algarve se evidencia como a região menos afetada, com exatamente os mesmos desempregados jovens que há um ano (7,1 mil).

Onde estão a trabalhar?
Nos últimos 12 meses, houve uma variação mínima da distribuição do emprego jovem por sectores da economia. Os serviços continuam a dominar completamente, representando 66% dos postos de trabalho preenchidos por jovens (no primeiro trimestre de 2011 era 69,4%). Tanto a indústria como a agricultura tiveram um ligeiro crescimento na quota de distribuição de emprego, o que dá a entender que a alienação dos jovens tem sido menos agressiva nestes dois sectores. A indústria representa agora 29,9% do emprego jovem e na agricultura o número de empregados com menos de 25 anos até cresceu, representando 4,1% do emprego jovem.

A taxa real
Apesar de os números oficiais do INE apontarem para uma taxa de desemprego jovem de 36,2%, a situação é bem mais grave. É que, além daqueles que estão à procura de trabalho, é preciso juntar os que desistiram de procurar, bem como aqueles que estão numa situação de subemprego. Tudo somado, a taxa de desemprego real dos jovens é 44,7% no primeiro trimestre deste ano.  

fonte:http://www.dinheirovivo.pt/

publicado por adm às 11:09 | comentar | favorito